Bom dia!

ou também:
“Amedrontado ou Indiferente? Diante das notícias, qual deles é você ?”

Ontem o jornal matinal anunciou uma notícia bizarra que me fez lembrar do texto abaixo, que escrevi em Julho de 2014. A notícia era criança de quatro anos cai do vigésimo andar num prédio em Interlagos. Segue o texto:

“Bom dia! Encontrada na China numa tubulação de esgoto uma criança recém nascida, veja imagens!”

“Bom dia! Vizinho mata pai de família por causa de barulho no condomínio!”

“Bom dia! Encontrado um homem esquartejado distribuído em diferentes pontos da cidade, ainda não se sabe quem matou!”

“Bom dia! Homem bomba mata sete em nome da guerra santa em pleno feriado religioso!”

Estas foram notícias reais anunciadas recentemente na abertura de telejornais matinais. Notícias assim se espalham nos noticiários e fazem com que nossas manhãs sejam influenciadas pela energia que elas trazem. Energias de homicídio, de violência e dor, gratuita e torpe. Muitas pessoas levam estes assuntos para o resto do dia, para seus trabalhos, carregando consigo a energia da notícia para compartilhar com as pessoas que as ouvem numa conversa despretenciosa no ônibus ou no intervalo do cafezinho no trabalho.

Algumas pessoas são mais influenciadas por estas notícias, viram seguidoras deste tipo de manchete e de alguma forma ficam mais e mais intimidadas de serem afligidas pelos tais algozes das notícias.

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“Não vamos mais fazer barulho, não viu o vizinho que matou o outro?”

“Ai, eu que não ando mais de taxi, não viu o taxista esquartejado no cemitério da Consolação?”

E assim estas pessoas vão deixando de viver, amedrontadas, cada vez mais reféns de notícias esdrúxulas, que desiludem as manhãs e por tabela o restante do dia. Ou pior, podem até não serem os amedrontados, mas dão ouvidos a eles e também se deixam influenciar e aos poucos também deixam de viver.

“Não saia sozinha, não vê como o mundo está perigoso!?”


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Por outro lado, existem outras pessoas, ditas mais fortes, que simplesmente vão ficando alheias a notícias bizarras como estas. Aos poucos, esta indiferença se espalha por outros aspectos da vida, vai se apoderando da pessoa e deformando a maneira como ela vê o mundo. De forma análoga mas inversamente proporcional à torpe realidade dos amedrontados, o indiferente deixa o lixo escorrer da tubulação de esgoto da notícia e nem vê a criança lá dentro.

“Todo dia morre gente, seja criança, taxista, ainda mais homem bomba! Não sou eu que vou me preocupar com isto!”

Isto por que, é claro, não existe nada mais acontecendo por aí além de bizarrices como estas. Não existem pautas importantes no Senado, no STJ, não existem falcatruas na Copa do Mundo, nas eleições americanas nem nada do tipo.

Bom dia para você também!


Acabado o texto, corta a cena para 2015, um ano depois de eu ter escrito o texto acima:


Em 2015 eu vi “Tomorrowland”. Quando eu vi o trailer, me pareceu que o filme era até bobinho, uma mistura de ficção científica com Disneyworld. Com George Clooney e um elenco mais ou menos. Até que eu soube que foi escrito por nada mais nada menos que Damon Lindelolf e Brad Bird – o primeiro, escritor e criador de Lost, enquanto o segundo é criador de “Os Simpsons”, diretor de “Os Incríveis”, entre outros. Opa, péra…

O trailer:

 

Quanto ao filme, a sinopse segundo descrição do IMDB:

“Ligado a destinos compartilhados, uma adolescente cheia de curiosidades científicas e um ex garoto-prodígio embarcam numa missão para descobrir os segredos de um lugar no espaço-tempo que existe em sua memória coletiva.”

“Existem dois lobos que estão sempre brigando.
Um é a escuridão e desespero, o outro é a luz e a esperança.
A pergunta é: qual dos lobos ganha?

A resposta: AQUELE QUE VOCÊ ALIMENTA”

Fábula Cherokee

Pois é, até a sinopse parece bobinha, até que você vê o filme e entende que trata-se de uma versão cinematográfica da fábula dos dois lobos, uma fábula Cherokee. Num mundo rodeado de desastres, guerras, assassinatos, as notícias só reportam o que de pior acontece pelo simples motivo de que só se sabe vender tragédia, não se sabe vender outra coisa. E assim a sociedade reflete o que as notícias mostram. Um círculo vicioso. O filme retrata a ideia de que, se quisermos, podemos, sim, construir um mundo promissor.

Mas será que só tem coisa ruim no mundo acontecendo? Na mesma época do filme li no Facebook um post que se tornou viral, no dia dos atentados em Nice. Dizia que para cada coisa ruim acontecendo no mundo tem muito mais gente fazendo o bem.

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Post da Aline Pereira.

“não é que o Mal venceu. Ele só tem uma equipe de marketing melhor.”
Aline Pereira

Em suma, cuidado com o viés dos meios de comunicação que você recebe. Alimente-se de cultura e informação de fontes diferentes ou você de fato vai caminhar junto com a boiada para o fim do mundo.

 

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2 opiniões sobre “Bom dia!”

  1. Muito bom saber que não estou sozinho nesta observação. Vale muito a pena pensar fora da caixa, deixar de agir no automático e analisar o que nos é apresentado. Excelente texto e análise.
    PS.: Já tenho o botão de curtir e o follow. Obrigado pela dica.

    Curtido por 1 pessoa

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