Lápis versus Caneta versus Teclado

Durante a semana que passou escolhi dois temas possíveis que eu poderia escrever no segundo post do blog: uma apresentação pessoal do tipo “Quem é o Leo Wanderley” e outro mantendo o tema #escrever, com o título aí de cima. Até quinze minutos antes de começar a escrever eu já tinha o tema da apresentação pessoal decidido quando resolvi mudar para o outro.

Acontece que o fato de escrever um blog me fez chegar a conclusão que, dentre outras características, esta atividade tem aspectos bastante narcisistas.

estatisticas-wordpress-paisesFiquei vidrado nas estatísticas de acesso! O WordPress disponibiliza até um aplicativo para acompanhar as estatísticas de acesso. E foram centenas de acessos! Visitas! Tem um mapa-múndi com os acessos, curtidas e comentários por país! Foi aí que durante o dia de hoje, pensei que já estou nesta situação suficientemente narcisista para falar “sobre mim” logo no segundo post.

E aí, no dia de eleições para prefeito e vereador, foi no “voto útil” que o tema acima venceu! A minha apresentação pessoal ficará para o segundo turno – ou o terceiro post mesmo, dado que as eleições em São Paulo foram tristemente concluídas no primeiro.

Depois das redações na escola as minhas escritas ficaram relegadas a textos aleatórios em cadernos específicos, que nunca seguiam uma cronologia definida. Eu abria uma página qualquer, colocava uma data e escrevia o que se passava na minha cabeça naquele momento.

Primeiro.jpgComeçou em 2005, num caderno que era para ser um caderno de trabalho e acabou sendo um caderno para textos “doidos”. Escrevia sobre o que passava comigo na minha primeira mudança de cidade: tinha acabado de sair do Rio, saí da casa dos meus pais, entrei no programa de Trainee da Alcatel e fui trabalhar na minha primeira área de formação acadêmica, Engenharia de Telecomunicações. Deixava no Rio a família, grandes amigos, a capoeira entre outras coisas. Na época fiquei com saudades fortes de todos eles, mas ao mesmo tempo vislumbrado com a oportunidade de conhecer diferentes cidades em todas as regiões do país, trabalhar com diferentes culturas dentro do mesmo país, encarar diferentes perrengues e começar a me desenvolver e me conhecer melhor.

Eventualmente o caderno também poderia confidenciar algum sonho muito maluco que eu tivesse. Sonho daqueles que a gente tem dormindo mesmo. O caderno ficava na mesa de cabeceira do lado da cama e se eu acordasse com uma lembrança de sonho daquelas que some das nossas cabeças nos primeiros minutos depois de despertar, registrava correndo no caderno antes que desse tempo de esquecer. Desde criança sempre fui influenciado a lembrar dos meus sonhos e a pensar em situações específicas antes de dormir para convencer meu cérebro a tê-los. E de criança foi que descobri que funciona bem este condicionamento para sonhar sobre assuntos que se queiram. Acontece que quando criança eu acordava e conversava sobre eles com o meu pai, mas nunca registrava. Depois de crescido procurei bibliografia a respeito, o que me influenciou a registrar meus sonhos por escrito, principalmente por conta de sonhos recorrentes, mas o assunto #sonhos pode vir a ser tema de outros posts.

lapisEu comecei a registrar no “caderno específico” escrevendo a lápis. Era fácil com o lápis, a pouca prática me dava o benefício da borracha em caso de erros. Num dia sem lápis tive que encarar a definição e o “caminho sem volta” da caneta.

Acontece que para quem é “das antigas” mesmo em termos de escrever de verdade o desafio devia ser a máquina de escrever! Errou uma letra ferrou, volta, corretor, pega uma folha nova e escreve tudo de novo. Eu mesmo não vivi isso, mas imagino que a questão do lápis versus caneta tenha um tanto disso também. As duas ferramentas diferem MUITO entre si em termos do que é ou não definitivo. Escrever a lápis tem o “benefício” da borracha, de apagar e reescrever, e por isso adquire um aspecto mais volátil comparado à escrita à caneta.

Depois dos primeiros textos à caneta acabei escrevendo sempre assim. Com a caneta a escrita adquire um senso de urgência por que aquilo que está escrito não tem volta. Quer dizer, ter mesmo até tem, mas a volta é rabiscada, é rasurada, é quase uma briga. Dá pra dizer que escrita à caneta é mais romântica que a escrita a lápis. Tinha uma certa adrenalina escrever à caneta por que este senso de urgência faz pensar que a gente tem que escrever pensando no que será definitivo, sem mimimi, sem volta. E foi isso que me fez seguir escrevendo à caneta por um tempo, o que na minha concepção me fez até escrever melhor.

Foi nos últimos anos que surgiu outro “caderno”: o notepad. E aí foi instaurada a bagunça, por que escrever digitando é ainda mais volátil que escrever a lápis. Acabou qualquer definição ou romantismo na escrita. executar_notepadAqui mesmo para escrever este texto já fui e voltei, Backspace, Del, reescreve o parágrafo, muda um parágrafo de lugar. Virou bagunça total, mas pelo menos existe um registro de ideias. A escrita digital trouxe o benefício de não ter que fazer um rascunho para depois se ter todo o trabalho de reescrever – trabalho muito comum nas redações semanais da escola: usar uma folha de rascunho para depois transcrever a redação final – e ai de você se errar uma separação silábica, volta a uma nova folha!

Além disso, no mundo digital as hashtags ajudam a organizar temas específicos. Se eu quiser resgatar todos os textos sobre determinado assunto não tenho que abrir o caderno e ler todos os títulos, vai no hashtag. Fora isso, a ferramenta do blog ajuda na diagramação do texto, inserir imagens. Tudo mais bonitinho, mas com um sabor de látex. Romance zero. Ou será que eu sou meio velhão para estas coisas?

Para escrever hoje eu resgatei os “cadernos específicos” que eu tenho e estão ilustrando este post. Acabei descobrindo um rascunho do que eu pensava ser o primeiro post deste blog, que escrevi (à caneta, diga-se de passagem) em agosto de 2013! Era na época do MBA, quando o Gil Giardeli incentivou a turma a escrever e desde aquela época eu imaginava seguir a sugestão dele. IMG_20161002_221637.jpg

Já naquela época eu abordei a possibilidade de escrever à caneta para transcrever no blog. Vou seguir a minha própria sugestão assim poderei acompanhar: textos escritos originalmente à caneta e transcritos cem por cento no blog terão a hashtag #caneta, enquanto os escritos direto no computador serão marcados com #teclado. Como não faz mais sentido escrever a lápis só teremos estes dois separadores. De vez em quando vou postar alguns textos provenientes deste período do caderno, anteriores à existência do blog, transcrevendo de forma fiel o que está à caneta, com a hashtag #original.

E assim o blog vai começando a tomar forma, novas ideias para abordar em textos futuros já estão até surgindo a medida que escrevo. E na próxima eu me rendo ao narcisismo e faço formalmente uma apresentação pessoal, com fotos bonitinhas de quando eu era criança para render umas curtidas.

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5 opiniões sobre “Lápis versus Caneta versus Teclado”

  1. Ahh que sofrido ter que esperar o próximo para se render ao narcisismo!!! Ahahah
    Estou ansiosa para conhecer esse pitel!! Ahaha
    Zueiras de lado, não sabia deste lado escritor, Leo! Mto legal!!!

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  2. Muito legal, meu amigo. Eu posso lhe dizer que eu passei por todas as fases: aprendi dactilografia aos 8 ou 10 anos de idade e adorava escrever na minha máquina mecânica. Mais tarde consegui comprar-me uma máquina de escrever eletrônica e incluí mais um par de dedos na minha digitação. Quando, enfim, tive meu primeiro computador e aí já digitava com dez dedos, achava um absurdo escrever a mão, caneta ou lápis, tanto faz – sempre preferi escrever a caneta.
    Hoje, eu lhe digo que escrevo… Já escrevi um livro de mais de duzentas páginas a mão, no entanto, sem o teclado do computador tenho uma certa preguiça.
    Seu Blog está nascendo. Que bom! Isso é uma coisa que a gente acaba amando fazer.
    Grande abraço, querido. Continuaremos a nos ler.

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