Escrever – Começando…

Desde a época da escola as aulas de redação eram daquelas que eu mais gostava, depois de Matemática e Física, é claro. A produção de texto me brilhava os olhos e nunca era uma tarefa automática, sempre me passava por um desafio de trabalhar o tema na minha cabeça, sem produção escrita nenhuma nos primeiros cinco a dez minutos depois que a professora dava o tema até que o texto era vomitado da minha cabeça para o papel!

Acontece que eu vim a fazer Engenharia na faculdade e a produção de texto me foi tolhida e resumida aos relatórios técnicos de Física e Química, sem mais exercício deste pedaço do cérebro que eu gostava e que, antagonicamente, acabou sendo um dos principais motivos de eu ter entrado para a faculdade: eu fiz a primeira edição do ENEM em 1998, a nota era uma média entre as matérias ‘normais’ com a redação. Nas matérias ‘normais’ eu tirei setenta e cinco – em cem – enquanto na redação eu gabaritei, tirando cem em cem! Média maior que oitenta e sete e minha classificação para a turma C da PUC, a segunda turma de melhores alunos fora da turma especial. Justo eu!?

Depois daí acabou, seis anos e meio de estudos acadêmicos sem exercitar produção escrita. Sem fazer as tão esperadas redações semanais das quais me orgulhava tanto. Hoje eu morro de inveja da molecada nova que, beneficiada da tecnologia, pode guardar todas as redações em seus arquivos para depois acompanhar e ver o quanto evoluiu, o quanto pensa diferente e o quanto da sua essência continua lá. Das minhas redações da época da escola não sobrou nada.

Para não dizer que eu nunca tive produções escritas depois da escola, muitas vezes eu acabava escrevendo alguma coisa, bem timidamente. De início um caderno que eu tinha e escrevia aleatoriedades, depois sentando em frente ao computador e escrevendo cartas para mim ou para ninguém, sempre fazendo de analista o meu caderno ou o computador.

Mas aí algumas coisas foram acontecendo na minha vida nos últimos anos e me instigando a escrever mais. Durante o MBA um dos professores que mais influenciava a turma a buscar mais da vida além da vida profissional era o Gil Giardeli. Uma das recomendações dele era “Escreva um blog”, que se pode ter como ‘escreva um diário’, ‘escreva redações semanais’, que seja: ‘escreva’! Tive aulas com o Gil em 2014, até cheguei a cadastrar um blog no meu nome, mas nunca escrevi nada nele. Cheguei a fazer uma lista de temas sobre os quais deveria escrever, e aí parece que a coisa foi de certa forma evoluindo: um artigo que virou capítulo no livro “Prêmio Excelência em Varejo”, um texto no LinkedIn sobre Gamificação que gerou mais de cento e cinquenta visualizações (porém apenas sete curtidas – quem quiser mudar este quadro clica nele aqui, acessa e dá um like, mas só se gostar mesmo!).

E recentemente dois autores me motivaram ainda mais na produção escrita: Haruki Murakami e Raiam Santos.

murakami_corrida

O Murakami escreveu “Do que eu falo quando eu falo de corrida”, link aí do lado. Posso falar mais profundamente sobre a obra em outra ocasião, mas apesar do título fazer crer, o livro acaba não sendo apenas sobre corrida, mas também sobre pessoas, hábitos e o hábito de escrever. O autor em alguns momentos mostra como o hábito da escrita tem muita analogia ao hábito da corrida: ninguém corre uma maratona do dia para a noite, é preciso treino, bagagem de provas, em suma alguns ‘quilômetros nas costas’ para aguentar uma prova como esta e assim é também com a escrita. Ele conta como começou com um caderninho anotando pensamentos, textos curtos e como ele passou a escrever três mil palavras por dia até conseguir escrever romances.

raiam_hackeando

O Raiam Santos é um autor novo, quase dez anos mais novo que eu, escreveu “Hackeando Tudo” (link aí do lado), “Wallstreet” e “Ousadia”. Apesar de novo, o cara tem uma história interessante de vida. Em resumo ele escreve numa linguagem interessante para os millenials, ele é agressivo mas tem bagagem, sempre cita suas fontes e o “Hackeando Tudo” é um bom livro sobre como criar hábitos na vida para se chegar aos seus objetivos, sejam eles quais forem. Eu vejo como um bom resumo de “O Poder do Hábito”, do Charles Duhigg só que voltado para o público millenial.

duhhig-habitoPor recomendação do Raiam foi que eu li “O Poder do Hábito”, que de início eu achava ser um livro de autoajuda, mas não é: o livro fala com referências científicas sobre como os hábitos se constroem no cérebro, e como podemos tirar proveito disto. Exemplos de estudos de neurologistas, psicólogos e publicitários sobre o funcionamento do nosso cérebro na construção e desconstrução de hábitos. Pessoas que venceram vícios e entendimento do comportamento humano para vender mais são apenas alguns dos exemplos que o livro traz. Autoajuda? Só que não…

O Murakami me fez escrever sobre a gamificação e agora ele mais o Raiam me fizeram começar a escrever como exercício mesmo. E o Duhigg me influenciando a tornar a escrita um hábito mesmo.

E é assim, vomitado depois de eu escrever o título, numa tarde de domingo, que eu pasmo e vejo que saíram quase oitocentas palavras. E a partir de agora, num fluxo análogo ao das aulas de redação da escola, que semanalmente vou alimentar este blog, com textos sobre escrever, correr, superação pessoal e outros assuntos. Espero que tanto eu como quem lê gostemos!

Let the writing begin!

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13 comentários em “Escrever – Começando…”

  1. Vandit, ótima iniciativa. Eu tive o mesmo percurso acadêmico q vc (inclusive nas matérias q repetimos juntos) e nem por isso me senti tolido a escrever. Foi até o contrário, eu nunca curti escrever até o dia q fiz um Blog cujo objetivo inicial era apenas ser sarcástico e mostrar o quão idiota era ter um Blog sobre minha vida. Minha idéia era escrever uns 5 textos pra mostrar o quão obviamente imbecil era aquilo. 13 anos depois já estou no meu 3o blog

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    1. Obrigado, Minas!
      É que na PUC não tinha aulas semanais de redação com A Professora Helena, né cara. Aí a vontade ia pro brejo.
      O teu blog é um dos que me deixa inseguro de escrever, de tão bom que eu acho e por que acho você um bom escritor, já te falei. Faz eu pensar que não tenho conteúdo suficiente digno de colocar numa página. Mas agora veio vontade, tempo e coragem para isto.
      Quero falar sobre temas que eu ache interessantes não só para mim, tô vendo que este negócio de blog tem aspectos meio narcisistas, tô ficando vidrado nas estatísticas de acesso e etc… Pode ser um tema a se explorar futuramente rsrs.
      Você e a Marcela são duas pessoas que eu tenho que tirar uma dúvida: já repararam que quando alguém acessa via mobile o wordpress separa sílaba todo errado? Já aconteceu isso com vocês?

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